Eu amo meu endocrino. Meu endocrino me ama. Somos uma família feliz!
Cheguei ao consultório numa animação tão grande que logo me vi destoando de toda a clientela na sala de espera. Minha vontade era levantar do banquinho-cubo (quem inventou que essa p#rr# de puff em forma cubo é legal? Odeio!) e puxar a lambaeróbica! Toca Netinho aê! Vamo lá galeraaa!
Entrei na salinha e acompanhada por um violinista de fraque, contei ao médico minha triste história de vida. Algo como "No dia em que eu saí de caaaaaaaaasa/ minha mãe me diiiiiisse..." Vocês já devem ter notado, né? Quando quero drama, consigo drama! Mas dessa vez não convenci. Ele definitivamente não estava disposto a acreditar que se sou gorda assim a culpa é inteiramente da sociedade judaico-cristã-ocidental com seus padrões estéticos inatingíveis e seus photoshops cruéis!
Dr. Velhinho estava cagando pras minhas lamúrias. Pegou meus exames e me mandou um "Uaaaaaau" tão libidinoso que cheguei a pensar que o safado escondia uma playboy da Priscila BBB no meio dos papéis do laboratório. Mas não. Eram minhas taxas. Taxas sexies e tchutchucas. Taxas cheias de malemolência. Glicose, LDL, HDL... taxas saradas, coxudas e barrigas de tanquinho.
Ele me chamou de gordinha saudável, não me obrigou a tirar a roupa para me pesar (droga! preciso superar isso!) e me passou uma dieta bacana, além de um remedinho jóia! E antes que vocês achem que sucumbi ao mundo das tarjas pretas já vou avisando que NÃO! NÃO TOMO ANFETAMINAS, NEM FÓRMULAS, nem essas tranqueiras aí!
Antes de sair da sala ele perguntou:
-Elisa, você é sempre tão bem humorada assim?
E eu respondi:
- Não doutor, só quando como chocolate! Rááááá! Brincadeirinha!
Ele revirou os olhos com cara de "Ó céus! Bem que minha mãe me sugeriu a obstetrícia!"