As velhinhas da minha família - todas entre 85 e 95 aninhos - são super conservadoras no quesito "acepipes de festinhas". Não curtem cardápios modernosos. Bruschetta, antepasto de beringela, "vá lá e sirva-se", queijos, vinhos, fondue? Tá brincando de Jesus, minha filha? Quer ser crucificada? Pode esquecer!
O lance delas é - Uia! E como é! - empadinha (e a gente tenta tapear com mini quiches mas não adianta!), folhado de ameixas, pastelzinho de forno, docinhos de nozes, olhos de sogra e uma bela torta, preferencialmente decorada com uma gigantesca peruca de fios de ovos!
Quando elas chegam (sempre em grupo e todas de uma vez), instalam-se confortavelmente e esperam que as bandejas comecem a circular. Se a ocasião pedir um garçom, beleza. Mas se não, prepare-se para passar o resto do evento carregando salgados e docinhos. Não! As velhinhas da minha família NÃO SE LEVANTAM PARA COMER! Elas sentam, mentalizam e esperam que a comida flutue até elas.
Pois eu, certa de que só a jovem guarda da família (Vanderlea? Jane e Erondi? Erasmo e Roberto?) toparia, preparei toda feliz minha receita de brigadeiro gourmet (leia-se brigadeiro basicão, em ponto mole, misturado com avelãs e servido em copinhos de cachaça). Timidamente, arrumei-os sobre a mesa e fiquei ali quietinha, esperando o fracasso de ter um docinho intocado bater a minha porta. Ó dor. Ó vida. Ó azar.
Algum tempo depois, a velhinha mais velhinha de todas se tocou da existência do meu brigadeiro phino. Se tocou e atacou. E comeu tudo. E cutucou a velhinha do lado, que também partiu para o ataque. Que comentou com a outra. Que avisou para a outra. Que ofereceu para a outra e... CARACA! CADÊ OS COPINHOS QUE ESTAVAM AQUI!? Sucesso total de público e crítica da 3ª, 4ª e 5ª idades!
Sob o impacto do ataque caí em mim: e quem sou eu para por em dúvida o poder do brigadeiro, né? Quem sou eu?!
Ah! A propósito: a palavra "azaração" no título foi pura estratégia de marketing!