Sabe, filho, em setembro de 2010 engravidei de você. Nessa época minha
vida tinha uma formatação completamente diferente da atual. Eu e seu pai
morávamos em outra casa. Pensávamos em outras coisas. Nossa tão
diferentes... tão inocentes... tão crus ainda... Caramba! Outras
pessoas! Só agora me dei conta!
Não foi uma gravidez planejada.
Mas era sim muitíssimo desejada e sonhada por mim. Só estava disposta a
esperar mais uns anos. Por quê? Porque a gente tem essa mania de
esperar, meu filho. Você vai ver como é. Você vai aprender na escola (e
se Deus quiser, vai aprender bem direitinho) que existe uma coisa
chamada “planejamento familiar”. E essa coisa baseia-se em números e
circunstâncias. Se conseguirmos adequá-los, BINGO! Se não... Bom, dá
certo também. Porque sempre dá. (Mamãe é uma otimista).
Depois
de estabelecida a gravidez (e de 3 dias chorando em pânico), passei a
curti-la. Sempre quis ser mãe. Você, se já me observava lá de cima, deve
ter notado. Assumi. Para mim e para o mundo. Não esperei completar as
tais 12 semanas de gestação para divulgar sua existência. Nunca tive
medo de você sair de cena e "não vingar". E estava certa desde o
primeiro xixi na tirinha, de que minha vida mudaria para sempre. Ok, não
imaginava que seria tão radicalmente, confesso, mas a gente nunca
imagina né, filho? A gente não sabe de nada! (Espero que você só perceba
a topeirisse da sua mãe quando já souber se virar bem sozinho!).
A gravidez avançou tecnicamente perfeita. Digo ‘“tecnicamente” porque
sua mãe e seu pai andaram dando umas cabeçadas, sabe? E isso é assim
mesmo. Tem horas em que a vida pesa e a gente precisa puxar as âncoras.
Sua mãe e seu pai tinham que crescer para receber você. E crescer
sozinhos, sem que um ajudasse (ou atrapalhasse) o outro. Pouco antes de
você nascer, já não éramos mais um casal. Mas negar o amor é impossível.
Porque você existe e o reafirma diariamente. Esse é o início da sua
história, meu filho. E incluiu dor, sim. Mas não só isso. Deus me livre
de resumir sua chegada a esses fatos. Temos tanto mais...
Quando você nasceu, mamãe já estava passando uns dias aqui, na casa da
vovó. Daí você completou 1 mês de vida e o que era uma temporada se
tornou “status quo”. Daquele momento em diante viveríamos aqui, formando
um quarteto (sim, somos 4: eu, você, vovó Marina e Naná!). Claro que
seu pai faz parte. Claro. Ele está lutando muito para se entender como
tal. E a cada semana, a cada visita, a cada identificação de
semelhanças, se sente mais parte de você. Ou sente você como mais parte
dele... Desculpa, filho, é que sua mãe é mulher e não sabe como a
paternidade se estabelece. Isso de ser mãe é muito forte, muito maluco.
Não deixa espaço pra pensar no que o seu pai sente. Só sei que é amor.
Porque é impossível não te amar.
Tenho certeza de que seria
igualmente feliz sendo mãe de qualquer outro ser humano. Claro. Não
cometeria a indelicadeza de renegar as demais infinitas combinações de
óvulos e espermatozoides que lhe cederam a vez. Mas a vida, essa danada,
me mandou VOCÊ. O Vinícius. Por enquanto o MEU Vinícius e brevemente
(desacelere, tempo, por favor!) o Vinícius homem, Vinícius cara legal,
Vinícius cidadão, Vinícius pessoa física. E eu te amo tanto HOJE, meu
filho. Amo seu reconhecimento, suas gargalhadas, sua manha eterna. Amo
até o seu cocô mais fedido do universo. Porque é assim que deve ser. É
assim que é.
Você está tão forte, tão crescido, tão menino.
Brinca de carrinho, veja você. Eu, filho, você sabe, tô aqui sendo feliz
com você e para você. Mas para mim também. Nem sempre é fácil, e muitas
vezes me pego te usando como justificativa para minha covardia.
Desculpe, viu? É muito feio, isso.
Hoje é meu primeiro Dia das
Mães. Um dia que me dói, por algumas razões. Mas que me deixa tão feliz,
por tantas outras. Um dia comum, pois todos os dias trazem motivos pra
sofrer e comemorar. E um dia incomum, porque nunca é justo subavaliar a
dimensão da maternidade.
Um bom dia pra nós, meu filho.